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No dibujas / No escribes porque


no dibujas / no escribes porque é uma publicação da Milserifas, uma editora independente colombiana que cada ano publica um ou dois livros ilustrados, híbridos ou inclassificáveis. Seu catálogo é produto de um olhar editorial cuidadoso, sensível e guiado pelo instinto de um leitor atento. Este livro é o resultado do trabalho conjunto entre a desenhista Ana Fino e o editor/escritor Fredy Ordóñez, que trabalharam simultaneamente na criação de textos e imagens em torno da ideia de não fazer. Na contracapa do livro se lê:


“¿Querías dibujar pero hacía muchísimo calor? ¿Ibas a escribir ese cuento que se te ocurrió mientras te tomaba una cerveza con un amigo pero llegaste a tu casa y te dio sueño? ¿Vives encerrado en tu estudio, pero viendo las siete temporadas de Your Best Secret? ¿Llevas 40 años pensando que quieres aprender a bailar flamenco pero nada que te animas?

Entonces este libro es para ti".


Além do livro, os autores participaram de uma feira de arte com a exposição de 15  quadros que exibiam os resultados do projeto no dibujas / no escribes porque. Aqui uma pequena amostra do trabalho. Conheça mais no site da editora e no evento!






Estás enamorado

Es el primer minuto del amor, antes de siglos de sucesivos esplendores y ruinas. Cada palabra, apesadumbrada con el peso de tu corazón, carga infecunda con un deseo o una añoranza. Te sientes ansioso, suspiras, jadeas, un funámbulo sobre esa cuerda templada que te dirige a un magnífico cielo. De repente te resulta inescrutable el mundo que te rodea y no entiendes la urgencia por tantos pomposos discursos. Pones palabras en el papel, solo para apurar el tiempo de volver a verla. Quisieras formular alguna pregunta, pero la evocación de su belleza es la superación de todas las contradicciones. No lo sabes, pero el amor, ese acústico vocablo que luego deslizarás con indolencia en múltiples frases, te incapacita para escribir, pues es la propia anulación del tiempo. Luego todo lo que escribas tendrá que ver con él, pero ahora no tienes nada, cartero de tu impaciencia, aleteando en el ancho espacio de la ilusión. Ya pronto la vas a ver, respirando mansa a tu lado o en el corazón mismo de tus sueños.




No has vivido lo suficiente

Pruebas a escribir, pero te salen gruñidos, espuma o cursis onomatopeyas, lo que más odias. Es tu alma, aún por hacerse, coinciden opiniones estrafalarias, emociones rotundas, deseos incendiarios. No sabes ni siquiera en dónde buscar la materia de tu obra. Tu infancia es un espejismo, una nube deshilachada contra el sol. Y de tu juventud es imposible extraer ninguna frase, tanta es la algarabía en tu corazón. Se te va el tiempo devorando al mundo, antes de que él te devore a ti: no eres más que un lobo desenjaulado. Al pan le falta levadura. Aún no has visto a tus hermanos crecer y convertirse en planetas, con sus propias órbitas y lunas. No has visto a tu madre cumplir doscientos años ni has abrazado a tu padre para no soltarlo nunca más. Tampoco has sentido la espléndida alegría de los pavos reales ni el huero letargo tras un día entero de trabajo. Pronto vas a tener hijos, todavía no. Pero llegará el momento en que te asalte un recuerdo, y encuentres ahí el significado de tantas cosas, y sientas ganas de llorar, pero las ganas aun más imperiosas de contener las lágrimas, para no perder tiempo y sentarte ya a colorear cada sfumato de ese recuerdo, para que no se pierda, porque no va a volver.





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